domingo, 20 de julho de 2014

baque astral

navalha que corta na alma
teu gelo, meu degredo
beijos reminiscentes

voo no trote do alazão pra lua
busco brilho fosco de estrelas
verbos alados me libertam

galopo por cometas estáticos
vago por corações sonâmbulos
buscando por vida fora da terra
seguindo conselhos de seres erráticos

mergulho em águas rasas
continuo quebrando espinhas
colhendo rosas com espinhos

oh funesta dedicação em vão!
essa de amar dias de neblina
ao ofegar por calores sinceros
em noites quentes de lua cheia

Cleber A. Dos Santos

domingo, 13 de julho de 2014

pós noturno

fugaz, faz-se a face, cara a cara
como num golpe que apaga,
me apego, com medo das lágrimas
mas quem há de enxugá-las?
procedo, me excedo, há tempo?
exponho minhas vísceras à tua mesa
não as jante, junte-as e recomponha
dê vida ao que me resta neste basta.

Cleber A. Dos Santos


segunda-feira, 7 de julho de 2014


Bom Samaritano

Tentei depurar meus sentimentos
Evoquei Adão para aprender
Mas meu paraíso é um inferno
Floreado e cheirando à calcinha.

Na faculdade nada aprendi
Senão, o gosto pelos bares
Admirar o cheiro doce que exala
Das jugulares cansadas das meninas lascivas.

Enquanto tento ler o Novo Testamento
O copo de cachaça me tenta
Assim como as luzes de um puteiro
O padre desistiu da extrema-unção.

Mas se ainda assim me quiser
Me espere de joelhos
Rezando duzentas Ave Marias
E permaneça de boca aberta.

Cleber A. Dos Santos

domingo, 6 de julho de 2014

D, de desejada


D de dados
Que rolam números
Numa matemática sentimental
De tantas incertezas.

D que faço clichês 
Que escorre nas mãos
Fios de cachos dourados
E perfume sutil.

Que este D
Não me seja
De devaneios
De dúvidas.

D que me seja
Depois de agora
De dádiva.

Cleber A. Dos Santos

terça-feira, 1 de julho de 2014

NOVA AURORA

Ainda que as folhas cantassem
No inverno toda árvore é muda.
Os rutilantes raios da aurora
Tolhem o gelo – esparramando-os
Em vão, natureza erma.
O brilho do meu olhar
Não permuta a insignificância
Tão pouco a indiferença
Do negro tronco marrom
Pois toda minha retina é triste
Assim como toda árvore
No inverno é gelada
Também vivo de estações.

Cleber A. Dos Santos